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MA: mais de 2 mil crianças e adolescentes sofreram abuso sexual entre 2018 e 2019

Danos quase irreparáveis. É o que tem sofrido mais de mil crianças e adolescentes que são abusadas sexualmente a cada ano no Maranhão. De acordo com a Secretária de Segurança Pública (SSP), no estado, somente em 2019 foram registados 1.133 casos de menores de idade que sofreram abuso. Esse dado é bastante preocupante quando vemos as sequelas tanto físicas e psicológicas que um abuso pode causar.

Os dados colhidos pela SSP mostram que 2019 foi um ano de pico se comparado a 2018 que teve 913 casos registrados. Somando os dois anos, foram 2.046 casos de abuso sexual em todo Maranhão.

Os adolescentes com idade entre 12 a 17 anos são os mais afetados pelo crime, somando todos os casos registrados nos últimos dois anos, o valor é assustador: 1.160 adolescentes sofreram abuso. Com um número menor de casos, ainda nos mesmos anos, o número de crianças de 0 a 11 anos abusadas sexualmente foi de 896.

Dos dados referentes ao ano de 2019, onde 1.133 crianças e adolescentes sofreram o abuso, 300 desses casos foram registrados pela Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente (DPCA), em São Luís. De janeiro a junho deste ano, mais 72 casos foram contabilizados na delegacia.

De acordo a delegada da DPCA de São Luís, Adriana Meirelles, a maior incidência de casos que chegam na delegacia são de crimes sexuais, mais precisamente o de estupro de vulnerável, que é quando o crime é praticado mediante violência ou grave ameaça contra menores de 14 anos.

A situação em decorrência a esse tipo de crime é bastante delicada, e para tratar esses casos é preciso bastante cuidado e cautela. A delegada Adriana conta que é feita uma perícia psicossocial, onde os psicólogos e assistentes sociais do instituto de perícia técnica escutam a vítima e elaboram um laudo sobre toda a situação de violência.

“O que a gente sempre tem que tentar é não revitimizar, pois as vezes a revitimização é mais dolorida do que o próprio abuso sexual. Então devemos tomar cuidado para o menor não ser ouvido em vários departamentos. O depoimento especial é uma forma de ouvir a vítima sem causar tantos danos”, explica a delegada.

A psicóloga, Claudiane Rocha, explica que diante do aumento alarmante dos casos de abusos de crianças e adolescentes é perceptível a relevância da educação sexual como umas formas mais eficazes de prevenir e enfrentar o abuso sexual contra crianças e adolescentes. Por intermédio dela, é possível esclarecer conceitos de autoproteção, consentimento, integridade corporal, sentimentos, emoções e a divergência entre toques agradáveis e bem-vindos e toques que são invasivos e desconfortáveis.

“Em relação ao posicionamento dos pais, estes devem ficar atentos aos sinais que os filhos possam apresentar em casos de abuso, mudança comportamental, alteração no rendimento escolar, medo ou recusa de ficar com determinada pessoa e lugar e problemas com esfíncteres (músculo pelviano), são alguns sinais. Temos também os sinais físicos como, irritação ou ferimentos na vagina, ânus ou boca”, explica a psicóloga.

A psicóloga ainda afirma que em casos de confirmação de abuso, a família precisa procurar os órgãos e profissionais responsáveis, para que seja trabalhado as possibilidades dessa família reconstruir a proteção e resgatar os relacionamentos positivos e saudáveis que cercam a criança.

Na luta contra essa causa, a Defensoria Pública Estadual do Maranhão (DPE-MA), realiza desde 2019, uma campanha do Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente, para formar e capacitar profissionais de educação e saúde na identificação de casos de abuso ou violência infantil.

Mais de 700 pessoas já foram alcançadas pela campanha envolvendo diversos bairros da grande São Luís como, Anil, João de Deus, Liberdade, Itaqui-Bacanga e município de Raposa. Outros lugares ainda serão incluídos.

O Imparcial

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