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AÇAILÂNDIA: CASAL ACUSADO DE ESPANCAR JOVEM, DEVERÃO SER AUTUADOS POR TENTATIVA DE HOMICIDIO

Segundo o delegado Saniel Ricardo Trovão, titular do 1° Distrito Policial de Açailandia, que preside o inquérito do caso Gabriel, a vítima já foi ouvida e fez exame de corpo de delito. Além disso, nesta terça-feira (4), uma testemunha ocular do crime deve ser ouvida na delegacia.

A Polícia Civil do Maranhão segue investigando o caso de Gabriel da Silva Nascimento, de 23 anos, que foi agredido dentro do próprio carro, em frente de casa, em Açailândia, no Maranhão, a 567 km de São Luís. Os acusados das agressões, o empresário Jhonnatan Silva Barbosa e a dentista Ana Paula Vidal, devem ser ouvidos até o fim desta semana.

O crime aconteceu no dia 18 de dezembro de 2021, quando Jhonnatan e Ana Paula agrediram Gabriel o acusando de tentar roubar o próprio carro.

Segundo o delegado Saniel Ricardo Trovão, titular do 1° Distrito Policial de Açailandia, que preside o inquérito do caso Gabriel, a vítima já foi ouvida e fez exame de corpo de delito. Além disso, nesta terça-feira (4), uma testemunha ocular do crime deve ser ouvida na delegacia.

“Já foi ouvida a vítima, feito o exame de corpo de delito, o vídeo foi juntado ao inquérito e uma testemunha ocular será ouvida hoje. Quanto aos investigados, eles foram intimados e devem ser ouvidos até o fim da semana, para juntar no inquérito a versão deles sobre os fatos”, explicou o delegado.

Os investigados no crime foram identificados como Jhonnatan Silva Barbosa, que é empresário, e a dentista Ana Paula Vidal, que mora no mesmo prédio em que Gabriel residia.

Imagens de câmeras de segurança flagraram o momento em que Gabriel é abordado por Jhonnatan e Ana Paula, que mandam ele sair do carro. O jovem sai e coloca as mãos para cima, em sinal de rendição e depois passa a ser agredido com socos, chutes e pisões, tapas, sendo que e Ana Paula chega a colocar os joelhos na barriga da vítima, enquanto Jhonnatan pisa o pescoço do jovem.

Gabriel afirma ter dito aos agressores que era dono do carro e que o documento dele estava dentro do veículo, porém eles não deram atenção e o agrediram.

“Foi aqui que eu achei que iria morrer. É no momento que ele sobe em cima de mim, junto com ela, com os joelhos... Ali é sufocante, porque ela manda ele me imobilizar, pisando no meu pescoço. Eu me senti sem ar”, disse o jovem em entrevista ao Fantástico.

A sessão de espancamento só parou quando um vizinho viu a situação e reconheceu que a vítima morava no prédio e era dono do carro de onde foi retirado.

De acordo com Gabriel, ele estava a caminho da confraternização da empresa em que ele trabalha, quando de repente o casal agressor se aproximou do veículo dele e o arrancou do carro acusando Gabriel de ser um ladrão. O jovem, que trabalha como recepcionista de uma agência bancária, havia comprado o carro há 2 meses.

Ele tentou pedir socorro, mas não adiantou, pois continuou sendo agredido pelo casal com socos e pontapés. A vítima disse que foi ofendido enquanto recebia as agressões.

No dia das agressões, Gabriel foi à delegacia para fazer um boletim de ocorrência, mas em três tentativas diferentes, ele foi informado de que o sistema estava fora do ar. Por isso, só conseguiu registrar a queixa no dia seguinte, o que impediu a prisão em flagrante dos agressores.

De acordo com o delegado Saniel Ricardo, o caso está sendo investigado, a princípio, como lesão corporal, injúria e injúria racial, mas pode ser considerado tentativa de homicídio, de acordo com o decorrer das investigações.

“Após a Polícia Civil tomar conhecimento do fato, por intermédio da própria vítima, foi tomado o inquérito policial que investiga, em princípio, o crime de lesão corporal, injúria e injúria racial. Com o desenvolver das investigações, essa adequação ao fato pode resultar em uma tentativa de homicídio, tendo em vista o vídeo que foi juntado ao inquérito policial, onde se constata uma série de agressões físicas. E isso pode, em tese, resultar na adequação típica da tentativa de homicídio ou também no crime de tortura e racismo. Só as investigações permitirão fazer essa análise tecnojurídica da tipificação penal”, destaca o titular do 1° DP de Açailandia.

Racismo
Gabriel afirma que as agressões podem ter sido motivadas pelo fato de ele ser negro.

"Eu quero que aconteça a justiça. É revoltante uma situação dessa, por achar que, por ser magro, negro, não poderia ter um carro. Quero que haja justiça porque isso não pode acontecer com as pessoas. Se fecharmos os olhos, isso pode acontecer até pior até com um familiar nosso. Isso é racismo. É crime", declarou Gabriel.
Para o advogado de Gabriel, o racismo é evidente: "Foi um caso de racismo. Muitas vezes se busca, para a caracterização de um episódio claro de racismo, a verbalização, a utilização de palavras que denotem o preconceito racial, mas isso não é o padrão brasileiro, baseado em racismo estrutural", defende o advogado Marlon Reis, em entrevista ao Fantástico.

Este é o mesmo entendimento de José Carlos Silva de Almeida, da ONG Justiça nos Trilhos: "A partir do momento que eles olham o Gabriel, enxergam nele um bandido, um ladrão. Estão fazendo juízo de valor baseado na cor da pele, na vestimenta dele. Isso é racismo", diz.

Jhonnatan Silva Barbosa já foi condenado pela Justiça por ter atropelado e matado um senhor de 54 anos, em 2013. Ele foi condenado a 2 anos e 8 meses de prisão, que foram convertidos em serviços comunitários e multa de um terço de um salário mínimo. Jhonnatan foi procurado para se manifestar sobre o caso de Gabriel, mas se negou a falar com a imprensa sobre o caso.

Já Ana Paula Vidal pediu desculpas, por meio de nota, e disse que não teve uma atitude racista.

Gabriel da Silva Nascimento se mudou do prédio que morava, pois ele pertence à família de Ana Paula. Com medo, o jovem teve acompanhamento da polícia para retirar seus pertences do local.

G1/MA

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