PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE PARK

PUBLICIDADE PARK

MARANHÃO: UM CASO DE VIOLÊNCIA É REGISTRADO A CADA TRÊS HORAS NO MARANHÃO, APONTA REDE DE OBSERVATÓRIOS DA SEGURANÇA

Em seis meses, no Maranhão houve o registro de 1.018 casos de violência, com destaque para mortes em ações policiais, óbitos com arma de fogo, além de feminicídio e estupros de meninas.

De agosto de 2021 a janeiro de 2022, foi registrado um de violência a cada três horas no Maranhão e Piauí, os dados são do monitoramento feito pela Rede de Observatórios da Segurança. Os dados foram publicados em um documento, intitulado Retratos da violência: novos dados do Maranhão e Piauí. O boletim foi lançado, nesta quinta-feira (24), em evento aberto no auditório do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís.

O boletim reúne as informações coletadas pelos pesquisadores em seis meses de análise diária das informações produzidas por jornais, sites de notícias, grupos de WhatsApp, contas do Twitter e a sistematização dessas informações em um banco de dados.

Ao todo os pesquisadores monitoraram 2.060 eventos violentos no Maranhão e Piauí, havendo o registro de 11 casos por dia ou um caso a cada três horas nos dois Estados juntos. No Maranhão, houve o registro de 1.018 casos de violência.

Segundo a Rede, os dados foram produzidos de maneira independente e refletem 16 indicadores de violência, inclusive casos que não são acompanhados pelas secretarias estaduais, como linchamento e chacina.

"Acompanhamos eventos que as secretarias estaduais não acompanham como linchamento e chacina. No caso do Maranhão, por exemplo, os órgãos estaduais não catalogam a cor das vítimas, o que impede a criação de políticas públicas adequadas e mascara o racismo estrutural. Mas a Rede sabe a cor dessas pessoas", destaca o documento.

No levantamento dos pesquisadores da Rede de Observatórios sobre policiamento, das 700 operações monitoradas no Maranhão, 461 foram realizadas pela Polícia Civil. Além disso, houve o registro de 29 mortes no Maranhão durante ações policiais.

Além do policiamento, os casos de violência contra a mulher, incluindo o feminicídio, chama atenção, com 67 casos registrados no Maranhão. Juntando com os dados do Piauí, os feminicídios e tentativas de feminicídios correspondem a 69% das violências cometidas contra as mulheres nos dois Estados.

A Rede analisou que a maior parte dos crimes foi cometida por companheiros e ex-companheiros. Brigas e términos de relacionamento são as duas principais motivações quando desconsideramos o alto número de casos em que a motivação não é informada. 

Quanto ao número de meninas vítimas de estupro, que é o tipo de violência contra crianças e adolescentes mais recorrente, os dados também são alarmantes no Maranhão, onde 27 meninas sofreram esse tipo de abuso.

Já em relação aos casos de violência contra a população LGBTQIA+, a Rede de Observatórios aponta que no Maranhão maior parte dos crimes acontece no interior do Estado e todas as vítimas de LGBQTQIA+fobia são pessoas negras. O que indica uma sobreposição de fatores de opressão sob essa população, que sofre com o racismo e a violência homofóbica.

"São poucos os registros de violência contra a população LGBTQIA+ nos dois estados. O que pode refletir uma falta de interesse na imprensa local e das instituições de segurança pública", aponta trecho do documento.

Justiça com as próprias mãos

O levantamento também apontou que, em seis meses, o Maranhão já foi destaque por crime de linchamento, com o registro de cinco casos, mas houve uma redução desse tipo de violência. A Rede destaca que, quando as facções passaram a regular os territórios das “quebradas” e periferias em 2017, as situações que poderiam motivar linchamentos passaram a ser julgadas pelos integrantes das facções. Com isso, os números desse tipo de violência no estado se mantiveram baixos.

Sobre a Rede de Observatórios

Após dois anos operando na produção cidadã de dados em cinco estados, a Rede de Observatórios, projeto do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), com apoio da Fundação Ford, chegou ao Maranhão e ao Piauí no segundo semestre de 2021. A Rede de Estudos Periféricos, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA), e o Núcleo de Pesquisas sobre Crianças, Adolescentes e Jovens, da UFPI se unem a Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD); Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop); Laboratório de Estudos da Violência (LEV/UFC) e ao Núcleo de Estudos da Violência (NEV/USP). O objetivo é monitorar e difundir informações sobre segurança pública, violência e direitos humanos. 

G1/MA

Comentários

PUBLICIDADE WIZARD

PUBLICIDADE WIZARD

PUBLICIDADE SKIL

PUBLICIDADE SKIL